Flu é finalista da Taça Rio 2008

Ao chegar em casa após a semifinal do Maracanã, o quarto-zagueiro do Fluminense Roger deu um beijo na testa de sua filha, que despertou. A pequena, na véspera, tinha ido até a concentração em que estava a delegação tricolor para rever o jogador, submetido à cansativa rotina de viagens e hotéis. Pegou-lhe pelas mãos e, puxando-o, disse: “Papai, vamos pra casa”.

O episódio, que partiu seu coração, foi lembrado pelo próprio Roger segundos antes do time entrar em campo para o decisivo jogo contra o Vasco. A história, conforme admitiu Renato Gaúcho, sensibilizou o grupo, que pisou o gramado faminto e querendo jogo. No fim, a vitória dramática nos pênaltis por 5 a 4 deu aos bravos guerreiros tricolores o merecido final feliz numa semana árdua e desgastante.

Aliviado e com a sensação do dever cumprido, Roger, ao despertar da filha, olhou-a com ternura e disse: “Papai voltou, minha querida! E classificado para a decisão”.

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O Fluminense, de fato, carimbou seu passaporte para a final da Taça Rio, mas a classificação tricolor foi muito valorizada pela ótima atuação do Vasco, seguramente a sua melhor em toda a temporada. Apesar disso, o time dirigido por Antônio Lopes se despediu do Campeonato Estadual sem ganhar nenhum clássico, engrossando um longo tabu favorável ao Flu, que não perde para o time da cruz de malta há dois anos ou sete jogos.

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O empate em 1 a 1 (gols de Jean e Thiago Silva) foi justo pelo futebol parelho de Fluminense e Vasco, que esteve mais inteiro nos minutos finais. Explica-se: o time de São Januário teve a semana inteira livre, enquanto o tricolor teve que ir a Argentina jogar pela Libertadores, só chegando ao Rio de Janeiro menos de 48 horas antes do clássico.

Mas se o Vasco esteve um pouco melhor no final, o Flu foi muito superior nos primeiros minutos. Tanto que o que se viu no começo foi um Vasco atordoado, tamanho o domínio tricolor. O time dirigido por Antônio Lopes não conseguia trocar três passes e sequer passava do meio-de-campo. A “blitz” tricolor poderia ter resultado em pelo menos um gol, mas o Vasco conseguiu se safar do bombardeio.

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Cícero, desta vez, pouco foi visto no ataque. De maneira inteligente, Renato recuou-o para dar liberdade à sua dupla de criação, Thiago Neves e Conca, que, individualistas (sobretudo Neves), desta vez não desequilibraram.

Sorte do Flu que conta com elenco farto: os laterais Gabriel e Júnior César, bastante acionados, se destacaram no apoio. De seus pés, surgiram boas alternativas de ataque. O lateral-esquerdo, porém, precisa se aprimorar nos cruzamentos. Já o direito mostrou confiança e maturidade ao pedir a Renato que o deixasse cobrar a quinta penalidade.

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“Não tem dinheiro que pague uma pessoa que jogue com amor pelo Fluminense. É claro que o futebol é importante para fazer o pé de meia, mas, vestindo esta camisa, eu jogo verdadeiramente por amor”.

É muito ídolo esse Thiago Silva!

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De joelhos, Renato chorou ao fim dos pênaltis. Também pudera: dirigindo o Vasco em 2007, perdeu, também nas penalidades, as semifinais das taças Guanabara e Rio (para Flamengo e Botafogo, respectivamente). Desta vez, dirigindo o Flu, levou a melhor.

Pior para o Vasco, que perdeu uma semifinal de turno pela terceira vez consecutiva.

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Em tempo: a seleção italiana, antes de se sagrar tetracampeão mundial em 2006, também havia se despedido de três Copas desta fatídica maneira: em 90 (para a Argentina, nas semifinais), em 94 (para o Brasil, na final) e em 98 (para a França, nas quartas-de-final).

Que sina!

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Antes um carma na vida do Fluminense, nos últimos anos as disputas de pênaltis têm tido sempre favoráveis ao clube das Laranjeiras. De 2005 pra cá, o Flu triunfou todas as vezes em que uma classificação foi decidida dessa forma. A saber: Vasco (semifinais do Segundo Turno do Campeonato Estadual-2005), Treze-PB (quartas-de-final da Copa do Brasil-2005), Santos (primeira fase da Copa Sul-Americana-2005), Botafogo (primeira fase da Copa Sul-Americana-2006) e Vasco (semifinais do Segundo Turno do Campeonato Estadual-2008).

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As torcidas de Flu e Vasco deram um show nas arquibancadas, especialmente a tricolor, que, num efeito visual de tirar o fôlego, escreveu o nome do clube com piscas. A festa emocionou até mesmo o zagueiro Luis Alberto. “Temos que agradecer a nossa torcida, que mais uma vez compareceu ao Maracanã e proporcionou um belo espetáculo. Ela tem tido papel destacado nessa nossa caminhada”.

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Salvo um cartão amarelo que poderia ter dado por reclamação acintosa para Jonílson (pelo mesmo motivo, mostrou para Washington), é preciso reconhecer, o árbitro Gutemberg de Paula Fonseca teve pulso, soube controlar o jogo e está de parabéns pelo excelente desempenho.

Ah, se sempre fosse assim!

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Já no vestiário, até o técnico rival, Antônio Lopes, se rendeu ao Flu, enaltecendo o elenco tricolor. “O time do Fluminense é muito bom: Thiago Neves é um excelente jogador, Washington é muito perigoso, Arouca é outro bom jogador e os laterais, Gabriel e Júnior César, são o ponto alto da equipe”.

Bacana a humildade de Lopes!

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Que guerreiro é Washington. Apenas seis dias depois de ter torcido seriamente o tornozelo esquerdo, com ímpeto e bravura, foi a campo ajudar o Flu, carente de centroavantes de ofício. O Coração de Leão nem jogou bem, é verdade, mas ajudou o time com sua experiência, convertendo, inclusive, uma das penalidades decisivas.

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De novo Roger. Veja que retidão de caráter tem este jogador. Após o gol de Gabriel, que decretou a vitória tricolor, em vez de comemorar a classificação de seu time, Roger foi consolar o jovem estreante Pablo, que desperdiçou a quinta cobrança vascaína e chorava compulsivamente no gramado.

Além de ídolo e grande jogador, Roger se mostra uma figura humana cativante. Um orgulho tê-lo servindo as cores do Flu.

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Em tempo: Pablo já havia desperdiçado uma penalidade (no último minuto) no jogo contra o Flu pelas semifinais da Taça Guanabara de Juniores. A exemplo de sábado passado, também deu Flu na final.

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Mal saiu de um jogo decisivo, o Fluminense já entra em outro: quinta-feira, às 19h10, o time tenta, contra a LDU, o primeiro lugar do Grupo 8 da Libertadores. Um empate basta, mas a vitória deixará o time entre os três melhores classificados no geral, o que lhe garantirá vantagens no mando de campo em fases futuras.

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Quem lê o Blog do Flu já sabia, há uma semana, o que exatamente aconteceria na semifinal contra o Vasco.

Vale relembrar o que me disse Gravatinha na crônica “De Volta Para o Passado”, postada no último dia 7. “A trama (Flu x Vasco) é idêntica à de 2005, quando na semifinal do Segundo Turno batemos o Vasco nos pênaltis depois de empatarmos em 1 a 1 no tempo regulamentar”.

Sinistro!!!

http://globoesporte.globo.com/ESP/0,,GEN582-6081,00.html

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